14/6/09
Apenas nos tornamos
Quando temos a consciência do dever cumprido,
de que não prejudicamos ninguém,
que não guardamos mágoas no coração
e tudo está perdoado, porque também erramos;
quando a incerteza do amanhã se transforma
na fé de dias que serão gratificantes e felizes,
damos graças pelo que temos e podemos ser,
isentos da ansiedade consumista
do que imaginávamos ser indispensável;
quando podemos admirar os feitos de outrem,
sentir satisfação naquilo que podemos fazer,
amar a vida em sua totalidade, a nós mesmos,
aos que também têm que enfrentar seus problemas,
tal qual nos ocorre;
quando sentimos compaixão por aquele
que segue caminhos sombrios, disseminando
(sua) infelicidade por onde quer que passe,
descobrimo-nos afortunados por termos a mente sã;
quando temos a coragem de sermos justos, bons,
honestos e verdadeiros, mesmo que isto desagrade
aos hipócritas, que sejamos criticados ou até caluniados;
quando alcançamos este estágio nada de mais aconteceu;
não nos transformamos em ninguém especial.
Apenas nos tornamos o que devemos ser,
ou melhor, o que já somos e restava somente
o nosso reconhecimento: criaturas de Deus!
Daniel
(sergio apollinario)
Imagem: Daniel Art

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